Na manhã desta quinta-feira, 20 de março de 2025, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Falso Profeta com o objetivo de desarticular um complexo esquema de extorsão e lavagem de dinheiro manejado por uma facção criminosa em estabelecimentos de distribuição de água mineral nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
A operação, que abrangeu os estados de Mato Grosso e Rio de Janeiro, envolveu a emissão de 30 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas, apreensões e bloqueios de contas bancárias. O principal alvo da operação é um pastor que liderava a facção e encontra-se atualmente foragido.
A Operação Falso Profeta, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), tem como missão desmantelar um esquema de extorsão que vitima distribuidoras de água mineral em Cuiabá e Várzea Grande.
A investigação revelou que a facção criminosa exercia controle sobre os distribuidores através de um grupo de WhatsApp. "Os criminosos iniciavam as conversas com um tom aparentemente amigável, mas logo evoluíam para o constrangimento e ameaças caso suas ordens não fossem cumpridas", explicou a Polícia Civil. As intimidações incluíam a ameaça de "conversar pessoalmente" com aqueles que tentassem se desligar do grupo, uma clara demonstração de poder e intimidação.
O esquema criminoso era altamente organizado, com uma divisão de tarefas clara entre os membros da facção. O administrador do grupo, um dos líderes da facção, geria as finanças e a logística da operação, enquanto outros membros visitavam as distribuidoras para reforçar a imposição de compra da água vendida pela facção e a cobrança de uma "taxa" por cada galão vendido. "Todos os alvos identificados possuem extensa ficha criminal, incluindo tráfico de drogas, homicídios e roubo", segundo a Polícia Civil.
A logística da operação incluía a utilização de um caminhão próprio para a distribuição da água, estacionado em uma das distribuidoras controladas pelo grupo.
Em termos de lavagem de dinheiro, a investigação identificou movimentações financeiras vultosas realizadas por pessoas físicas e jurídicas sem comprovação de origem lícita. O dinheiro extorquido era supostamente enviado para o Rio de Janeiro, o epicentro da facção, onde o pastor e mentor do esquema reside atualmente. Uma empresa de distribuição de água no Rio de Janeiro, ligada à facção, era utilizada para dissimular as transações financeiras.
A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva, nove mandados de busca e apreensão, além de sequestros de veículos e bloqueio de contas bancárias que totalizam cerca de R$ 1,5 milhão. A Operação Falso Profeta é parte da Operação Inter Partes e do programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso, que visa o combate agressivo às atividades de facções criminosas.
O nome "Falso Profeta" faz referência ao líder da facção, que também é pastor, uma figura central no esquema de extorsão. Em resposta às atividades criminosas, o Governo do Estado lançou o serviço "Disque Extorsão contra Facções Criminosas", permitindo denúncias anônimas através do telefone 181 ou pela internet.
A atuação da Polícia Civil em Mato Grosso e no Rio de Janeiro destaca a complexidade e o alcance nacional das operações de combate ao crime organizado no Brasil, buscando não apenas desmantelar as operações criminosas, mas também atacar suas estruturas financeiras e logísticas em múltiplos estados.